Política e Púlpito

O que Deus requer?

Política e púlpito
Edições:Brochura

Comprei esse livro,  "Política e Púlpito", numa promoção que a editora Monergismo fez. Não lembro o dia exato, mas já faz um tempinho. Ele ficou parado na estante, até que ocorreu uma maratona literária promovida pela Gabriela Benevuto, Geolê e o Rafael  ("livros e teologia").

Não deu pra acompanhar tudo, por isso falo que corri meia maratona, pois tinha alguns compromissos nesse dia. Tinha várias metas e escolhi uma que era para ler um livro da Bíblia, um teológico e um de ficção. E, justamente por ter pouco tempo naquele dia, escolhi esse livro. Ele pode até ser considerado um livreto.

Prefácio

Quem escreveu o prefácio à edição brasileira, foi o Felipe Sabino. Em alguns trechos eu me lembrava de partes do livro "Contra a Idolatria do Estado", do Franklin Ferreira.

Ele aborda aquela famosa frase "Futebol, política e religião não se discutem" e explica como isso é uma mentira de Satanás. Como também diz que até contraditório colocar algo não essencial (pois é possível viver sem futebol), com outras coisas tão importantes da vida, pois não há como escapar delas.

Nesse prefácio, também vemos um pouco de Abraham Kuyper, do calvinismo que, infelizmente, há quem pense que o termo reformado, soberania divina, responsabilidade humana... apenas se restringe a questão soterológica.

Todavia, precisamos entender que "nosso campo é o mundo, e nosso chamado ao domínio é mais amplo que a igreja". Não devemos viver reclusos, "na piedade apenas particular, sem influenciar a sociedade à nossa volta". E é por isso que os líderes religiosos têm a responsabilidade de ensinar o povo sobre política também. Pois, nos púlpitos, Deus requer que todo pecado e impiedade sejam condenados e isso é em todas as áreas. De igual forma, cada crente tem acesso a Deus em oração e às Escrituras e pode ler e entender o que Deus requer.

Já em relação ao outro prefácio, vou apenas copiar algumas frases.

"É quase inimaginável que alguém seja ministro do evangelho, arauto de todo o conselho do Senhor nesse ambiente social sem lidar com questões políticas".

"(...) o que deve existir é o púlpito dedicado a falar a verdade revelada em todas as vertentes da vida moderna - incluindo a política".

Introdução

O Estado deve determinar o conteúdo das observações de um pastor?

Política e Púlpito

Jeffery J. Ventrella nos dá boas razões pelas quais um pastor deveria falar sobre política livremente:

  1. A Escritura garante a menção a líderes políticos - nessa parte ele cita momentos entre líderes religiosos e líderes políticos.
  2. Silêncio político pastoral: uma intervenção partidária recente - No EUA, "a proibição atual e autocenssura pastoral favorável ou contrária surge de uma medida de proteção hierárquica aprovada por um senador poderoso inclinado a manter seu lugar nos corredores de poder".
  3. Lidar com políticas públicas e pessoas promove o bem comum - somos chamados a praticar a justiça. "As pessoas precisam aprender como sua fé se aplica fora das portas da igreja, incluindo sua aplicação às questões de cultura e, sim, à política".

O púlpito: de Deus ou de César?

"Quem decide o conteúdo da pregação do púlpito - o Estado ou a igreja?"

Devemos ter a ciência que, qualquer coisa que algum pregador fale, ele pode estar enganado. Porém como já foi falado, isso não tira a responsabilidade de cada crente buscar a verdade; isso me lembra dos bereanos (Atos 17. 10-15). O pregador tem a liberdade de lidar sabiamente também co questões políticas, para ensinar o povo e glorificar a Deus.

É comum ouvirmos que se pode falar das questões, mas não de pessoas. Só que essas questões são realizadas por pessoas. Um exemplo é o pecado. Quem sofre as consequências do pecado? As pessoas. Apenas se trata o pecado, tratando a pessoa que cometeu.

E, se caso o político ou o funcionário público for membro de uma igreja e pecar de forma pública, a igreja pode discipliná-lo? Claro que sim!

Mas isso causa divisão!

Uma parte bem interessante foi essa, sobre a divisão.

Ele diz que essa afirmação é enganosa, pois comente a falácia da "causa falsa", como também o erro da generalização precipitada. "O silêncio do líder pode facilmente precipitar uma divisão, bem como ameaçar a capacidade da congregação fazer o que foi chamada a fazer".  E ainda diz que essa "divisão pode ser o meio pelo qual se evidência quem são os fiéis (I Co 11.19)".

"Expor o mal, incluindo-se os que que praticam o mal, é parte do chamado dos cristãos (Ef 5. 11). Pondere se votar em um candidato ímpio não constitui participar nas 'obras infrutíferas das trevas', condenadas por Paulo".

Considerações finais

Recomendo este livro, pois queria que mais pessoas olhassem esse posicionamento para conversarmos sobre.

Em toda minha vida de Igreja, já vi algumas coisas: desde a aversão até quase filiação de uma igreja a um partido político ("quase" porque as pessoas que se filiaram e não a instituição), que  infelizmente, defendia/defende muita coisa anti-cristã. Mas, graças a Deus, também vi líderes alertando seu povo contra as pessoas que defendem coisas anti-bíblicas. Inclusive citando nomes, pra deixa bem claro. E tudo isso, não era falando mal da pessoa por falar, mas mostrando biblicamente que o que ela defende e as intenções dela caso fosse eleita são coisas que a bíblia condena.

Vou falar aqui um fato pessoal sobre política: quando eu era pequena, nem podia votar, mas já orava para que uma determinada pessoa não ganhasse as eleições. (de um partido que o Felipe Sabino fala no prefácio e Franklin Ferreira no seu livro). Quando me perguntavam o motivo eu dizia que era porque ele ia fechar as igrejas. Uma pessoa um dia falou que era impossível ele fechar as igrejas, mas, agora, ela e eu sabemos que é possível sim e não estou falando desse momento de pandemia, mas sim de países assim onde é crime ser cristão  (e olhe que na época não sabia de nada sobre socialismo/comunismo). Até mesmo essa pessoa mudou a visão política depois de pedir a Deus esclarecimento, ler mais e viver na prática as consequências da maneira de gerir dessa pessoa que eu tinha medo que ganhasse. Mas ela ganhou e ainda elegeu sucessora! Entretanto, assim como o Felipe Sabino falou no prefácio, a política não é nosso Messias, por isso não nos desesperamos quando nosso candidato perde, pois sabemos que Deus pode livremente castigar determinado lugar colocando algumas pessoas no poder (vemos isso na Bíblia).

Assim, concluo esse texto pedindo que Deus dê sabedoria a seu povo, pois este é chamado para exercer sua fé não apenas dentro da igreja, mas no mundo, influenciado a sociedade, para o bem comum e a glória da Deus.

 

 

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