Bendita desgraça

Desgraça

Bendita desgraça? Ahn?! Isso existe?

Inicialmente, é preciso falar que a igreja absorveu a ideia de que sempre deve se sentir bem e, se está sofrendo, tem algo errado: “falta de fé” ou até mesmo “pecado encoberto”.

Todavia, o sofrimento é uma realidade da vida, uma realidade bíblica. Em Mateus 26.36-38, por exemplo, vemos Jesus triste.

Inegavelmente nesse mundo teremos aflições. Não desejamos sofrimento, mas não podemos negar que ele existe.

Quando passamos por momentos difíceis nossa pode ficar abalada, duvidamos do cuidado de Deus etc.

Mas, então, como se reage a uma desgraça de maneira bíblica?

Voltando ao início.

Em Gênesis 3 temos o relato da queda. Lá tem uma parte que diz que multiplicará o sofrimento. Porém, graças a Deus, a história não encerra com a queda. Você conhece a famosa tríade? Criação, queda e redenção (alguns acrescentam a glorificação, mas a gente inclui aqui na redenção).

Na criação, tudo era perfeito, veio a queda, entrou o pecado e suas consequências. Mas Deus nos deu Jesus e nEle temos redenção. Em Cristo temos paz, podemos ter bom ânimo, pois, sem dúvida, Jesus venceu.

Entretanto, qual o motivo dos redimidos passarem por uma desgraça?

Antes de mais nada, nós, os redimidos, temos que mudar a perspectiva, o ponto de vista e voltar às Escrituras, pois lá temos os motivos.

Primeiramente, devemos saber que Deus não é sádico e quando há um sofrimento é por um bem maior.

Jó, por exemplo, no capítulo 1 poderíamos considerá-lo um legalista, já no capítulo 42 ele passou a ter um relacionamento com Deus.

E, conforme as Escrituras, o maior exemplo foi Cristo. Ele sofreu para cumprir a justiça de Deus e propiciar a salvação do seu povo.

Segundo, como vemos em Romanos 8.28, coisas difíceis podem acontecer para nosso bem. Lembremos do espinho da carne de Paulo. Deus não tem partes com os arrogantes, meus irmãos. Ele tem seus meios de tirar a soberba dos seus filhos.

Em suma, há coisas que evitam outras bem piores.

E, por fim, situações difíceis podem servir para nosso aperfeiçoamento, para nossa transformação. Conforme já foi falado aqui, em Romanos 8.28 vemos que tudo coopera para nosso bem, e no versículo 29 vemos que esse bem é para nos deixar mais semelhantes com Cristo.

Boas consequências

Não podemos negar que em situações complicadas, tendemos a orar mais, logo, passamos a ter mais intimidade. Li em algum lugar um relato que Spurgeon falou que, quando nossa oração não é respondida, temos que ser gratos, pois é mais uma oportunidade de voltar a orar e passar mais tempo com Deus, suplicando, clamando.

Além disso, momentos difíceis faz com que a gente crie empatia com o próximo, vemos que não somos autossuficientes e olhamos com mais desejo para a eternidade.

Almejamos o céu. Almejamos a eternidade com Deus, que já começou. É o já e ainda não, pois somos a igreja militante, mas, em Cristo, vitoriosa.

Por isso, descansemos nessa promessa e oremos para agirmos biblicamente em qualquer situação e, assim, Deus seja glorificado. Qualquer desgraça, sem dúvida, é uma bendita desgraça, pois Deus é Deus. Ele sabe o que faz, já nós, nem sempre. Que Ele nos ajude!

Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

II Coríntios 4. 16-18

Este texto foi escrito baseado em uma palestra ministrada na Consciência Cristã, 28.02.2017.

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