A tragédia do jugo desigual na amizade e a bênção de ter amigos parecidos com Cristo

Amigo

A amizade, como em qualquer outro relacionamento é algo ativo, influenciamos e somos influenciados, pois compartilhamos nossas vidas. É uma bênção saber que podemos contar com alguém, mas dependendo da cosmovisão que esse amigo tenha isso pode se tornar algo perigoso. Acredito que, para uma pessoa ser considerada amiga, ela tem que ter o mesmo alvo (Amós 3.3).

O texto de II Coríntios 6. 14-15 é bem claro: Não vós ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?

A partir dai, já notamos que é complicado ter amigos que não têm a mesma fé em Cristo, pois é impossível ter comunhão entre a luz e as trevas, já que os valores são totalmente diferentes, como também o destino.

A Bíblia tem exemplos do quão trágico é compartilhar e ouvir conselhos de pessoas assim. Um deles foi a relação entre Amnom e Jonadabe (II Samuel 13). Amnom desabafa com seu amigo, um homem sagaz, e, ao invés de confrontar o pecado, Jonadabe cria um plano para que o incesto (estupro) seja possível. Lendo o restante da história vemos que a consequência disso para Amnom foi a sua morte.

Outro exemplo nessa mesma linha foi o de Roboão (II Crônicas 10). Ele rejeitou o conselho dos anciãos e deu ouvido aos jovens que haviam crescido com ele. A consequência foi nada menos que a divisão do Reino do Sul e do Norte. E, ao ler essa história, me vem logo a mente Tito 2. 3-5 onde recomenda às mulheres idosas instruírem as mais novas para que a Palavra de Deus não seja difamada.

Por isso, devemos orar para que Deus nos dê discernimento para que não corramos o risco de tentar harmonizar naturezas opostas. Até mesmo entre aqueles que estão na igreja, pois isso não é prova de conversão (I Coríntios 5.9-11; II Tessalonicenses 3.6).

Essas pessoas devem ser alvo de nosso carinho, atenção; devemos evangelizar, influenciar, exortar, mas jamais comungar. Pois elas nos aconselhariam através das Escrituras ou nos apoiariam a seguir nossos corações?! Aceitariam nossas recomendações com base bíblica?! Isso é perigoso. Meditemos no Salmo 1, Provérbios 13.20; 14.7; 28.7 e I Coríntios 15.33.

O que precisamos é ter e ser amigos que abençoam, que apontam a verdade, que confrontam, que nos amam a ponto de nos exortar na Palavra e que ofereçam o conforto da graça de Deus. Aos quais confessamos nossos pecados confiando que eles irão a Deus com nossas lutas e que nos ajudarão da maneira bíblica.

Apenas alguém que nasceu de novo pode ser um amigo assim, que tem o otimismo bíblico firme, respaldado na garantia das promessas de Deus; que sempre nos lembre da esperança do Evangelho (Colossenses 1. 5). Aquela pessoa descrita em Provérbios 27.17, que nos “afia” e que também nos dá essa liberdade; que pode até causar feridas, mas estas serão leais, serão por amor (Provérbios 27. 6). Essas sim são pessoas para compartilhar a vida; não precisam ser muitas (Provérbios 18.24), mas que sejam profundas e edificantes, mais chegadas do que um irmão, que sejam verdadeiros instrumentos nas mãos do Redentor (título de um livro de Paul David Tripp. Recomendo!) usados para nossa transformação (sendo algo recíproco).

E isso é para que nossas relações de amizade tenham como centro “a comunhão do evangelho… encorajando uns ao outros na obediência e no discipulado que nos amadurece, levando os fardos uns dos outros e crescendo em amor que sacrifique assim mesmo pelo próximo, por amor de Cristo” como diz D. A. Carson em seu livro Coração de crente. Tornando possível fazer o que está em Colossenses 3. 16 e Hebreus 10.24, por exemplo.

Que nossos amigos sejam parecidos com Cristo, nosso melhor amigo, pois Ele é aquele que ama os seus amigos e diz o que eles devem fazer (João 15. 13- 15), que nos compreende bem (Hebreus 4.15) e que nos assiste em todas as angústias (Hebreus 2. 18). Sejamos também assim.

Adelaine deSousa

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